Flávio Marcílio foi o único cearense a presidir a Câmara dos Deputados três vezes, além de ter sido vice-governador e governador do Ceará.
Um político do Ceará, Flávio Marcílio, foi presidente da Câmara dos Deputados três vezes, nas décadas de 1970 e 1980. Ele foi o único representante do estado a conseguir esse feito e também o primeiro de todo o país a alcançar três mandatos seguidos como presidente da Casa.
Depois dele, outros três políticos também conseguiram: Rodrigo Maia (entre 2016 e 2021), Michel Temer (entre 1997 e 2001 e também em 2009-2010) e Ulysses Guimarães (entre 1956 e 1989).
- Flávio Marcílio teve sete mandatos como deputado federal.
- Antes da política, foi professor de Direito e juiz eleitoral.
- Ele chegou a ser governador do Ceará por alguns meses, em 1958-1959.
- Na primeira vez que presidiu a Câmara, foi indicado pelo presidente militar Emílio Médici.
- Em 1984, ele cortou o salário de deputados que faltavam às sessões.
Vida antes da política
Professor e advogado de carreira, Marcílio enfrentou a Ditadura Militar. No primeiro mandato, assumiu depois que o deputado Adahil Barreto foi cassado pelo regime.
Sua trajetória no Congresso acompanhou todo o período da ditadura até a redemocratização. Ele permaneceu na Câmara até sua morte, em 1992.
Marcílio nasceu em Picos, no Piauí, em 1917, mas mudou-se ainda jovem para Fortaleza, onde construiu sua vida profissional. Ele era bacharel em Direito e professor da Universidade Federal do Ceará.
Antes de entrar na Câmara, foi ministro do Tribunal de Contas do Ceará e juiz do Tribunal Regional Eleitoral, entre 1952 e 1954.
Sua carreira política começou em 1954, quando foi eleito vice-governador do Ceará. Em 1958, com a renúncia do governador, ele assumiu o governo do estado até 1959.
Em 1963, tornou-se presidente do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Empregados em Transportes e Cargas (Iapetec). Deixou o cargo para tomar posse como deputado federal.
Ingresso na Câmara
Com o Ato Institucional nº 1, em 1964, vários políticos cearenses foram cassados, e Marcílio assumiu como titular. Ele se filiou à Arena, partido de apoio ao regime militar.
No governo militar, ele foi vice-líder do governo e da Arena entre 1967 e 1969. Também participou de comissões importantes, como as de Constituição e Justiça e de Relações Exteriores.
Em 1973, na primeira vez, ele foi eleito presidente da Câmara, indicado pelo presidente Médici. Durante sua gestão, cuidou da construção do anexo da Câmara e do regimento interno.
Em 1979, ele conquistou o segundo mandato como presidente. Venceu a disputa interna da Arena com 325 votos. Em sua posse, defendeu a redemocratização e criou uma comissão para propor mudanças.
A comissão propôs acabar com a aprovação automática de projetos, restabelecer a imunidade parlamentar e permitir a reeleição das mesas. Mas o projeto foi rejeitado pelo Congresso, sob pressão do governo.
Em 1983, ele assumiu o terceiro mandato. Nesse período, criticou o mecanismo de decurso de prazo e passou a descontar salário de deputados ausentes.
Em 1984, ele foi candidato a vice-presidente na chapa de Paulo Maluf, mas perdeu para Tancredo Neves e José Sarney. Transmitiu a presidência da Câmara a Ulysses Guimarães.
Depois da derrota, ele continuou na política. Em 1986, ficou como suplente, mas reassumiu o mandato em 1990, após a renúncia de outro deputado. Faleceu em 26 de janeiro de 1992.
Em 2017, a Câmara fez uma homenagem ao centenário de seu nascimento. Deputados elogiaram sua simplicidade e seu papel na estabilidade política do país.
Em mensagem oficial, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ressaltou que Marcílio foi um dos deputados mais competentes e privilegiados que passaram pela Casa.





