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29 de setembro de 2026

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POLÍTICA

Como Paulo Maluf transformou a política de direita no Brasil

POLÍTICA Ditadura 29/09/2026 15:46 Jovem Pan jovempan.com.br Brasília DF

Veja como a carreira do ex-governador de São Paulo, ligada à ditadura militar e às grandes obras, serviu de modelo para os governos conservadores modernos, unindo discurso de ordem e apoio das classes médias.

Diario Flip

Paulo Salim Maluf é uma das figuras mais polêmicas da história política do Brasil. Seu caminho no poder ajudou a definir como o conservadorismo brasileiro agiu durante a transição para a democracia. Entender suas escolhas políticas e suas alianças é essencial para compreender como a direita ganhou força no país nas últimas décadas.

A questão de onde Maluf se posiciona ideologicamente volta com frequência em debates sobre a política atual. Para a maioria da população, saber como figuras históricas se encaixaram no cenário político ajuda a entender como projetos de obras e discursos de ordem foram usados para ganhar apoio popular e criar bases eleitorais fortes por todo o Brasil.

  • Malufo foi nomeado prefeito de São Paulo em 1969, sem eleições diretas.
  • Ele usou grandes obras, como o Minhocão, para ganhar popularidade nas classes média e alta.
  • Em 1985, sua candidatura à presidência causou uma divisão dentro do partido de governo.
  • A expressão 'rouba, mas faz' ficou associada ao seu estilo de gestão.
  • Em 2018, foi condenado a prisão domiciliar por ocultar bens no exterior.

Ascensão durante o regime militar

A carreira de Maluf está profundamente ligada à estrutura de poder da ditadura civil-militar, instaurada em 1964. Seu primeiro grande cargo foi em 1969, quando foi indicado para prefeito de São Paulo. Essa nomeação ocorreu sem voto popular, mostrando sua forte aliança com os generais que comandavam o país e com a elite empresarial paulista.

Ele ingressou oficialmente na política pelo partido Arena, que apoiava a ditadura. Foi nessa legenda que ele subiu para o governo de São Paulo em 1978. Contra a vontade do presidente Ernesto Geisel, Maluf venceu a convenção do partido e foi eleito indiretamente pelo colégio eleitoral paulista.

O estilo de gestão e as grandes obras

Na prática, o estilo conhecido como 'malufismo' funcionava com base em um forte desenvolvimentismo urbano. A estratégia era focar o dinheiro público em grandes projetos visíveis, como o Elevado Costa e Silva (Minhocão) e várias rodovias e túneis na capital paulista. Essa forma de administrar entregava resultados concretos para a população de classe média e alta, o que aumentava seu prestígio.

Ideologicamente, isso representava um conservadorismo focado em resultados rápidos. O modelo priorizava a expansão do capital privado e do mercado imobiliário, em vez de políticas sociais de distribuição de renda. A segurança pública e a ordem eram os pilares do seu discurso, atraindo um eleitorado tradicional.

Embora nunca tenha usado o termo oficialmente, o político ficou historicamente associado à expressão 'rouba, mas faz'. Essa máxima reflete a visão de parte dos eleitores, que tolerava denúncias de superfaturamento desde que a máquina pública entregasse obras. Anos depois, essa mesma lógica levou a graves condenações por improbidade e ocultação de bens, resultando em sua prisão domiciliar pelo STF em 2018.

O racha de 1985 e novos partidos

O papel de Maluf na redemocratização foi decisivo para mudar as forças políticas no Congresso. Com a abertura política, o partido Arena foi extinto e virou o PDS em 1980. O grande teste de força veio na eleição presidencial de 1985, a última indireta do país.

Maluf venceu a disputa interna no PDS contra o ministro Mário Andreazza, tornando-se o candidato oficial da direita. No entanto, sua figura era rejeitada por alas moderadas do próprio partido. Essa insatisfação provocou uma cisão: dissidentes saíram do PDS e fundaram a Frente Liberal, que depois virou o PFL e o atual Democratas.

Essa nova força política de centro-direita se aliou à oposição do PMDB e garantiu a vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral. Maluf perdeu a eleição, mas manteve-se fiel ao seu grupo. Ele liderou as mudanças do partido, que se tornou PPR em 1993, depois PPB em 1995, até virar o atual Partido Progressistas (PP).

Resumo das posições políticas

Historicamente, Maluf sempre esteve claramente do lado da direita conservadora. Desde o apoio à ditadura até suas campanhas focadas em ordem pública e privatizações, ele rejeitou as pautas econômicas e sociais da esquerda brasileira.

Sua trajetória de filiações mostra uma linha ideológica consistente: começou na Arena, liderou as reestruturações passando pelo PDS, PPR e PPB, e encerrou seu mandato como deputado federal no Progressistas (PP).

Para os eleitores de suas décadas de auge, ele representava um gestor enérgico e alinhado ao capital. Ele atraía votos de empresários, classes médias conservadoras e eleitores de periferia que buscavam soluções rápidas. Estudiosos da política classificam esse fenômeno como populismo de direita.

A estabilidade do sistema político brasileiro atual deve muito à compreensão das forças da transição democrática. O legado de figuras como Maluf continua a influenciar como prefeitos e governadores estruturam suas campanhas. A sobrevivência dos partidos que os abrigaram demonstra a capacidade de adaptação da direita nacional, que soube mudar seu discurso para manter relevância no Congresso e nas urnas.


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