Mackenzie e PUC-Rio vetaram manifestações de estudantes a favor de Lula e Flávio Bolsonaro, alegando risco à segurança física e moral dos alunos devido ao acirramento político no segundo turno.
O aumento da tensão política no país, com a chegada do segundo turno das eleições, levou duas importantes universidades particulares do Brasil a proibir eventos partidários dentro de seus prédios. A decisão busca evitar conflitos entre grupos de estudantes com posições políticas opostas.
A Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) emitiram notas oficiais proibindo qualquer manifestação ou ato político organizado por grupos de alunos que apoiam o presidente Lula (PT) ou o senador Flávio Bolsonaro (PL). As reitorias justificaram a medida como necessária para garantir a segurança e o bem-estar da comunidade acadêmica, já que as convocações foram feitas nas redes sociais sem autorização prévia.
- Mackenzie e PUC-Rio baniram atos políticos em seus campi antes do segundo turno.
- A justificativa oficial é a preservação da segurança física e moral dos alunos.
- Grupos pró-Lula e pró-Bolsonaro realizaram protestos fora dos muros das universidades.
- Um influenciador bolsonarista foi criticado por debochar da morte da vereadora Marielle Franco.
- A medida visa evitar confrontos entre facções políticas rivais no ambiente universitário.
PUC-Rio cancela eventos após convocações rivais
Na PUC-Rio, a decisão foi tomada na véspera de dois eventos que iriam ocorrer no mesmo dia e no mesmo local: uma mobilização a favor de Flávio Bolsonaro e outra em apoio à reeleição de Lula. A nota, assinada pelo vice-reitor Renato Callado, cancelou todos os eventos político-partidários nas dependências da universidade até o fim do período eleitoral.
O grupo pró-Bolsonaro, batizado de "A PUC também é nossa", planejava protestar contra decisões do STF e gastos públicos. Já o coletivo "PUC-Rio Antifascista" organizava um encontro para apoiar Lula. Com a proibição, os grupos mantiveram os atos, mas realizaram-nos fora da universidade.
Repercussão negativa sobre comentários contra Marielle Franco
Após o cancelamento interno, os grupos trocaram ofensas na manhã de terça-feira. O episódio mais grave ocorreu quando um integrante do grupo bolsonarista debochou da morte da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018 e ex-aluna da PUC-Rio. O influencer Breno Faria, candidato a deputado federal pelo PL no Rio de Janeiro que não foi eleito, fez a afirmação: "Marielle tá no céu, com papai do céu. Ou não, né Ou tá no colo do capeta".
Ele não se pronunciou publicamente após a repercussão. Nas redes sociais, a filha de Marielle, Luyara Franco, publicou um vídeo condenando o ato. "Zombar do assassinato de Marielle Franco não é opinião. Não é debate. Não é liberdade de expressão. É violência política. Transformar o assassinato da minha mãe em motivo de deboche é desrespeitar sua história, sua família e a luta de tantas pessoas que seguem exigindo justiça", afirmou Luyara.
Mackenzie veta assembleia de apoio a Lula
Dias antes da medida na PUC, a Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital paulista, também vetou atividades partidárias. A decisão foi assinada pelo reitor Marco Tullio de Castro Vasconcelos e aplicou-se ao campus de Higienópolis. A instituição agiu após o grupo "Mackenzie com Lula" convocar uma assembleia de apoio ao candidato do PT nas imediações da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.
A direção do Mackenzie explicou que recebeu muitas manifestações de preocupação por parte de outros membros da comunidade acadêmica. Como o encontro não tinha autorização prévia da reitoria, a universidade optou por proibir qualquer ato partidário para garantir a segurança do local.





