As férias são um período de descanso, e muitas pessoas aproveitam para dormir mais. Porém, um estudo recente descobriu que esse hábito de dormir muitas horas pode estar relacionado a um risco maior de desenvolver demência, como o Alzheimer. Entenda os resultados da pesquisa publicada na revista científica Alzheimer's & Dementia.
Pesquisadores que estudam a demência já sabem que as mudanças no sono estão ligadas ao risco de desenvolver Alzheimer. Ainda é difícil dizer se a doença causa essas mudanças no sono ou se é o contrário. Também é possível que os dois fatores estejam relacionados.
- Dormir mais de 8 horas por noite pode aumentar o risco de Alzheimer em idosos.
- Um estudo com mais de 2.400 pessoas com mais de 65 anos mostrou essa relação.
- O risco está ligado ao acúmulo de uma proteína chamada tau no cérebro.
- Pessoas que dormem mais de 10 horas por noite têm níveis mais altos dessa proteína.
- Os pesquisadores ainda não sabem se dormir demais causa a doença ou se é um sinal precoce dela.
Independentemente disso, um estudo anterior mostrou que idosos que dormiam menos de cinco horas por noite tinham o dobro de chances de desenvolver demência em cinco anos, em comparação com aqueles que dormiam entre seis e nove horas.
No entanto, um novo estudo, publicado na revista Alzheimer's & Dementia, buscou entender por que períodos mais longos de sono também parecem estar associados a um maior risco da doença.
Sono e demência: detalhes do estudo
A pesquisa analisou 2.410 participantes, todos com mais de 65 anos. Os pesquisadores compararam os padrões de sono dos voluntários com um tipo modificado da proteína tau, que é uma das principais características da doença de Alzheimer.
Níveis mais elevados dessa proteína começaram a ser observados entre pessoas que dormiam de oito a nove horas por noite, aumentando ainda mais entre aquelas que dormiam mais de 10 horas. É importante lembrar que os dados não se referem a uma única noite de sono, mas sim a um padrão habitual.
Para os pesquisadores, isso pode indicar que idosos que costumam dormir por longos períodos têm maior probabilidade de apresentar alterações neurodegenerativas precoces.
O estudo dá continuidade a uma pesquisa publicada em 2025, que concluiu que dormir mais de nove horas por noite pode afetar negativamente o desempenho cognitivo em pessoas de todas as idades, principalmente naquelas com depressão.
Apesar dos resultados, os pesquisadores destacam que ainda são necessários mais estudos sobre o tema. A autora da pesquisa, Vanessa M. Young, afirmou:
"Muitas pessoas estão preocupadas com a forma como seus hábitos de sono afetam a saúde do cérebro. Como este estudo retrata um momento específico e não é uma pesquisa de longo prazo, não podemos afirmar que dormir demais causa Alzheimer. No entanto, os resultados sugerem que pode valer a pena acompanhar a duração do sono, já que dormir mais nem sempre significa uma melhor saúde cerebral."




