As vendas online de medicamentos para emagrecer e tratar diabetes, conhecidos como canetas emagrecedoras, aumentaram 149% no primeiro semestre de 2026. Os pedidos somaram mais de R$ 2,3 bilhões, mas também cresceram as tentativas de golpes.
A procura por canetas emagrecedoras no comércio eletrônico brasileiro aumentou 149,3% no primeiro semestre de 2026, segundo um levantamento feito pela Serasa Experian. Foram 1.364.354 pedidos online de medicamentos associados ao GLP-1, princípio ativo usado no tratamento de diabetes e sobrepeso, entre janeiro e junho deste ano. Isso é mais que o dobro das 547.249 compras feitas no mesmo período de 2025.
- Rápido resumo:
- As vendas online de canetas emagrecedoras cresceram 149% no primeiro semestre de 2026.
- Foram feitos mais de 1,36 milhão de pedidos, somando R$ 2,3 bilhões.
- As mulheres são as que mais compram: 44% dos pedidos.
- A região Sudeste concentra 66% das compras.
- Foram identificadas quase 4 mil tentativas de golpe envolvendo esses produtos.
Em valores, os pedidos somaram R$ 2.348.777.687,64 apenas nos seis primeiros meses deste ano. A conta dá um tíquete médio de aproximadamente R$ 1.721 por solicitação. O estudo considera tanto os medicamentos injetáveis, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras, quanto outras formas farmacêuticas do princípio ativo.
Millennials e geração X puxam a demanda
Os nascidos entre o início dos anos 1980 e meados dos anos 1990, os millennials, responderam pelo maior número de pedidos do semestre: 436.589 solicitações. Logo atrás, quase empatada, aparece a geração X, nascidas entre meados dos anos 1960 e o início dos anos 1980, com 424.673 pedidos. Juntas, as duas faixas concentraram 63,1% de todas as solicitações do período.
Mulheres fazem mais pedidos que os homens
O consumo online de canetas emagrecedoras é liderado pelo público feminino. Foram 602.815 pedidos associados a mulheres no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 44,2% do total, movimentando cerca de R$ 1 bilhão em solicitações. O volume é 75,2% maior que o registrado entre os homens, que somaram 343.976 pedidos no período. A categoria "Outros", que reúne outros gêneros ou pedidos feitos sem identificação, respondeu por 417.563 solicitações.
Sudeste concentra dois terços dos pedidos
A Região Sudeste respondeu por 901.191 pedidos, o equivalente a 66,1% do volume nacional. Em seguida vieram Sul (188.997) e Nordeste (139.841). Na comparação anual, porém, o Nordeste foi a região que mais cresceu em ritmo percentual, com alta de 195,2%, mesmo partindo de uma base bem menor que a do Sudeste. Sul e Norte também tiveram avanço expressivo: 170,9% e 170,5%, respectivamente.
Categoria vira alvo de fraudadores
A expansão acelerada da categoria no ambiente digital veio acompanhada de um aumento do interesse de golpistas. No primeiro semestre, a Serasa Experian identificou 3.966 tentativas de fraude envolvendo esses produtos, que somaram R$ 7.864.725,56. A região Sudeste também lidera as ocorrências, com mais de 2.400 casos nos seis primeiros meses. O Nordeste aparece em segundo lugar, com 1.007 ocorrências, e foi a região com o avanço mais expressivo das tentativas de golpe: alta de 65,4%.
O movimento acompanha uma mudança captada pelo Mapa da Fraude da Serasa Experian. Neste ano, a categoria "Saúde" passou a integrar, ao lado de "Beleza" e "Calçados", as três com maior volume de tentativas barradas no e-commerce.
Para o diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da empresa, Rodrigo Sanchez, segmentos com alta procura, produtos de maior valor unitário, recorrência de compra e facilidade de revenda tendem a atrair mais atenção, tanto de consumidores quanto de fraudadores. "Produtos de maior valor agregado e que passam por um crescimento acelerado de demanda podem atrair também a atenção dos fraudadores. Por isso, não basta avaliar apenas os dados cadastrais ou o meio de pagamento de forma isolada. É necessário combinar diferentes camadas de inteligência, como análise de identidade, dispositivo, comportamento e transação, para identificar riscos sem criar barreiras desnecessárias aos consumidores legítimos", afirma o executivo.
Como o levantamento foi feito
O estudo considera pedidos online de medicamentos associados ao GLP-1 analisados pelas tecnologias antifraude da Serasa Experian entre janeiro de 2025 e junho de 2026, nas dez maiores redes de farmácias do país, que concentram 97% do mercado da categoria. O levantamento reúne informações sobre quantidade e valor dos pedidos, tentativas de fraude, distribuição regional e perfis por gênero e geração.
Os valores apresentados correspondem ao montante dos pedidos analisados e não devem ser interpretados como faturamento consolidado nem como retrato de todo o mercado brasileiro. As tentativas de fraude, por sua vez, dizem respeito às transações identificadas como suspeitas pelas soluções usadas no processo de análise, ou seja, não significam necessariamente golpes concluídos.




